Nem todo esquecimento é Alzheimer!
- medeirosherickssen
- 10 de ago. de 2023
- 3 min de leitura
Em uma geração acelerada e super envolvida com tecnologias, desatenta e exigente, o que mais se escuta é: ando esquecendo de tudo, será que tenho Alzheimer?
A verdade é que a menor parte dos pacientes atendidos nos consultórios de Neurologia com queixa de demência tem a doença de Alzheimer!
Infelizmente, esse termo está na moda e muitos profissionais intitulam seu paciente como tendo "começo de alzheimer". Anos depois e esses idosos estão na mesma situação, porém, com os efeitos colaterais dos medicamentos de alzheimer. Ou seja, não tinham Alzheimer!
Vamos a primeira pergunta: porque tantos idosos referem esquecimento?
No envelhecimento fisiológico é natural que as capacidades cognitivas tenham um declínio, principalmente as envolvidas com uma área importante do cérebro, o lobo frontal. O lobo frontal é responsável pelo comportamento, pela atenção e pelas funções executivas. Essa última se refere a nossa capacidade de resolver problemas.
O controle do comportamento faz com que na juventude controlemos nossos impulsos, logo uma pessoa com uma personalidade mais expansiva, tende a ficar um pouco mais na vida idosa ou o tímido ficar mais retraído.
No aspecto da atenção, existe uma perceptiva redução na capacidade de absorver novas informações pela desatenção na hora de capitar essas. Naturalmente, o idoso ele fica cada vez mais dependente de seus familiares para fazer as coisas, sendo essa a perda da função executiva.
Essas perdas são fisiológicas, mas especialmente notadas em pessoas com comorbidades (exemplos: hipertensão, diabete, tabagismo, etilismo) e pessoas que não tiveram estudo formal. Nos primeiros anos da vida montamos os circuitos cerebrais que nos acompanharam para toda vida, a chamada reserva cognitiva.
Se temos baixa reserva cognitiva e não estimulamos essa ao longo da vida, mesmo na velhice, é natural que percebamos mais a perda cognitiva.
Ou seja, várias são as razões para um idoso apresentar esquecimento e, mesmo quando essa não é fisiológica, não necessariamente é Alzheimer! Existem um várias outras condições que podem causar esquecimento. Algumas delas reversíveis!
Quais as causas de esquecimento quando esse não é fisiológico e como diferir de demência?
A diferenciação dos sintomas ditos fisiológicos, ou seja, pela natural perda da capacidade do lobo frontal e o patológico, deve ser feito por uma detalhada história clínica e exame neurológico.
Uma vez identificado uma mudança no padrão de comportamento da pessoa, evidências de deficits cognitivos de caráter patológico ou alteração no exame neurológico, devemos investigar as causas de demências reversíveis inicialmente e, após isso, avaliar a possibilidade de demências primárias.
Existem demências reversíveis e primárias? Como diferir?
As demências reversíveis são as causadas por quadros não degenerativos, como deficiência de vitaminas, infecções do sistema nervoso central, acidentes vasculares cerebrais, hematomas e medicamentos. Infelizmente, muitos desses medicamentos são usados na tentativa de tratar o dito: "começo de Alzheimer".
As demências primárias são diagnósticos de exclusão inicialmente, mas possuem características que se diferem entre si e nos permite estudar alguns marcadores para identificar a patologia! As mais conhecidas demências são o Alzheimer, demência frontotemporal, demência de Lewy e a demência vascular.
Como saber se tenho demência ou se é apenas parte de meu envelhecimento natural?
Procure um especialista em doenças cognitivas! O profissional mais adequado para esse diagnóstico é o médico neurologista. O suporte clínico e multidisciplinar é fundamental no segmento desses pacientes e outros profissionais podem dar um suporte importante, como o médico geriatra!
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